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terça-feira, 31 de julho de 2012

MÁ LÍNGUA

Podia falar-se mal, à vontade, sem segredos, sem mãos em concha nos ouvidos, sem o "não contes nada para ninguém", sem restrições, sem voz baixa, sem cicios...

Podia-se falar mal do governo, do desgoverno, da assembleia, dos autarcas, da vizinha, do colega de trabalho, da chefe, do patrão, da empregada de limpeza, do senhor da loja que quis vender gato por lebre, da comida do restaurante, das medidas de austeridade...

Os ingleses, em Londres, num dos cantos do Hyde Park, em Marble Arch, mesmo junto à Oxford Street, têm um "Speakers Corner" onde as pessoas, abertamente, podem falar do que quiserem, durante um período de tempo considerado razoável, e desde que não sejam ofensivos para a família  real ou o governo. Devem fazer o discurso, ou a conversa, em cima de um caixote ou um tablado para, assim, não estarem em solo inglês e, deste modo, não ficarem sujeitos às leis e tradições britânicas.

(DO AUTOR)

Mas, naquela Sala da Má Língua, bem ao estilo nacional, a conversa é à porta fechada, num diz que se disse, numa conversinha feita com língua de prata, não assumida, escondida, segredada, naquele "dizem para aí para não passar daqui"...


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1 comentário:

Anónimo disse...

Mais uma crônica deliciosa! Obrigada pelo envio, beijinhos, lola