sábado, 17 de novembro de 2012

AS CORES DO OUTONO


Na hora do crepúsculo iniciado,
quando as formas se esbatem
e a penumbra se enche de magia,
quando as cores ondeiam os vermelhos,
os amarelos e o doirado,
quando o silêncio impera na Natureza
e a noite dá lugar ao que era dia,
quando a solidão
e a dor
se transformam em companhia
e a escuridão
se deixa adormecer em sonhos de amor...

As Cores do Outono são beijos de ousadia,
são benção e bálsamo de alegria,
são a paz que tanta falta fazia...


  

(DO AUTOR - AS CORES ESBATIDAS DO OUTONO NA HORA DO CREPÚSCULO DOIRADO, NA QUINTA DA PROSA)
 
"Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...


Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a benção dum afago...


Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que eu soluço a delirar de amor..."

Florbela Espanca, in a Charneca em Flor, Outonal.





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6 comentários:

Anónimo disse...

Lindo Raul. Veio de encontro a mim.
Helena Restani Ferreira

Anónimo disse...

Parabéns pela poesia que bem retrata a mudança de estação do ano, não só na natureza, como nos sentimentos das pessoas, complementada por uma maravilhosa e bem matizada foto, com as cores fortes e bem variadas do outono.

Anónimo disse...

Cada vez me surpreende mais. Lindíssimo, Raul .E eu que, como já lhe disse, adoro o outono. A fotografia também é uma beleza. Obrigada.
Ivone Oliveira

Anónimo disse...

Adoro essas cores...
Ana Hertz

Anónimo disse...

Lindo! Que alma imensa...
Maria João Pinto Carvalho

Anónimo disse...

Belíssimo poema, Raul!! Parabéns pela inspiração!
Rossana Salim