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domingo, 23 de setembro de 2012

CHUVA

Desta vez o calendário, as estações e o clima coincidiram no dia. É tão raro!

Quase não deu para acreditar! Depois de meses de seca, de pastos amarelos de encardidos pelo sol, de gado emagrecido, de costelas bem marcadas no couro que as reveste, de charcas sem água, há muito...

O dia tinha nascido de sol quente, como se fora um dia de verão, a prometer calor. Mas, com o aproximar da costa atlântica, começou a aparecer um vento de noroeste que foi ganhando forças à medida que o dia chegava ao fim e o mar estava mais perto: um vento que agitava as águas do rio-mar, que enchia as praias de ondas mais gordas e fortes, que arrefeceu o ambiente e pedia agasalho porque o fresco da noite incomodava...

E já a noite era senhora, já os ponteiros do relógio tinham passado da meia-noite, quando ela chegou: de início quase sem se ouvir, mas a mudar o cheiro do ar, a amaciar os sons da cidade, a tornar os barulhos dos carros mais suaves... era uma chuva mansa, quase amedrontada mas que, depois, se vingou na demora em aparecer... e veio forte, mas não devastadora, lavou o ambiente e deixou tudo bem molhado.

Assim como surgiu, já partiu...

Veio assinar o ponto, afirmar que o outono é a estação das chuvas, do tempo mais fresco, dos agasalhos à noite...

E era tão bom que assim fosse!


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