quarta-feira, 21 de março de 2018

COM O QUE RESTA DO NADA

(com o resto de tinta de um aparo de caneta de tinta permanente, já depois de lavado e passado várias vezes por água, o dito aparo insistia em riscar, de tinta preta, a folha de papel... E, em vez de estar a riscar uma folha de papel, lembrei-me de escrever qualquer coisa!)

Com o que resta do nada
Desta caneta de tinta
'Inda escrevo uma quadra
Cheia de ritmo e de pinta

Acho mesmo que dá pr'a duas
As quadras para escrever
É como o mês com as luas
Uma lua a morrer,
E outra lua a nascer

Pelo andar da carruagem,
Ainda escrevo terceira
Não chego ao fim da viagem
desta tinta derradeira.

Uma quarta, vai a caminho
Na ponta desta caneta
E, se a usar devagarinho
A tinta ainda sai preta.

Ora, quatro já lá vão
E já vou a entrar na quinta
Isto está uma animação
Até que a caneta consinta.

E a sexta a sair
Nesta corrida sem fim
Já não sei mais que parir,
Ai de mim, ai de mim...

Acho que vou terminar
Dar por finda esta matéria
Tudo tem um acabar,
Até mesmo esta pilhéria!

(E acabou mesmo, a tinta do aparo!)

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