sábado, 19 de fevereiro de 2011

O SR. LOURENÇO

O Sr. Lourenço vende jornais, melhor, vendia.

Sempre o conheci atrás do balcão da tabacaria do Centro Comercial.

Educado, sereno, discreto, pouco falador, mas eficiente e pontual na hora da abertura. Às vezes o Jornal chegava atrasado e ele pedia desculpa por não o ter àquela hora, como se fosse culpa sua, mas prontificava-se a guardá-lo.

Ultimamente começou a emagrecer, o cabelo a ficar mais ralo, o ar a entristecer, as rugas da face a vincarem-se, as maçãs do rosto a acentuarem-se, os dedos a ficarem mais finos e as mãos a mostrarem o desenho dos ossos, os olhos a amarelecerem cada dia, a ficarem encovados, a voz a ficar mais fraca e a notar-se uma lentidão na fala, os gestos mais limitados e o cansaço a tornar-se, cada vez, mais presente.

De certeza que andava doente, com um mal daqueles que ninguém gosta de falar, uma doença prolongada... só que esta tem sido rápida, de poucos meses.

Agora já não vai trabalhar. Não pode. Está acamado, em casa, pesa um pouco menos de 30Kg, não tem forças para nada, nem para abrir os olhos, menos ainda para falar. Mas ainda se mantém agarrado à vida, ou será que é esta que está presa a ele?

O Sr. Lourenço sempre foi boa pessoa,  um bom trabalhador, sem vícios conhecidos, sem maus hábitos de bebida ou de tabaco.

Ainda é um homem novo mas não lhe vai valer de nada.

Não sei se ainda estará vivo quando este Blog sair.

Mas não quero deixar de prestar a minha homenagem a um homem simples, a um homem leal à casa onde trabalhou, a um homem que cumpriu, sempre bem, o seu dever, a um homem educado e correcto com todas as pessoas.

Vou sentir saudades suas, sempre que for comprar o Público ou o Expresso!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

ANDO TRISTE

Apareceu-lhe na consulta. Tinha-a marcado já há duas semanas.

Entrou no gabinete. Ele, sentado à secretária, levantou-se para a cumprimentar e indicar-lhe a cadeira.

Ela vinha, elegante, de preto vestida, com o semblante sério. Sentou-se.

Ele também se sentou e perguntou-lhe: em que lhe posso ser útil? Era quase sempre assim que começava a conversa, perguntando se podia ser útil.

Ela respondeu-lhe: espero bem que sim, Doutor, que me seja útil, que me ajude, ando muito precisada de apoio.
- Então o que se passa?
- Ando triste, sem vontade de sorrir. Já dura há uns meses,
- E apareceu assim de repente? Ou foi um processo que se foi instalando de forma paulatina e progressiva?
- Desde que fiquei desempregada, desde que a minha vida deu uma volta total. Foi o processo que levou ao despedimento, injusto! Foi o ordenado que se foi, foi a vida que estava habituada a viver que se alterou substancialmente. O carro e as prestações a pagar, o andar que tinha comprado e o banco que não aceita renegociar o "spread" e a mensalidade (dizem que já estou a ficar velha e por isso não querem alongar o prazo), é tudo. Depois acho que entrei em depressão, sou sozinha, o psiquiatra enche-me de medicamentos para contrariar a depressão mas que me trazem outros problemas e não me cortam a angústia do viver. Por isso voltei a fumar, a gastar ainda mais dinheiro na porcaria do tabaco mas que tem sido a minha companhia.
- Mas sabe que não deve fumar, o bem passageiro que lhe provoca vai transformar-se num mal agravado no futuro. Não se esqueça da sua bronquite...
- Eu sei Doutor, sei de tudo isso, mas nada me livra da angústia deste viver, sem trabalho, sem dinheiro, com as contas para pagar. O tabaco, ainda assim, vai-me anestesiando a vida, vou-me refugiando nele, vai-me acompanhando... aquele fumo que se desfaz no ar... quem dera que à minha vida  acontecesse o mesmo: desfazer como o fumo. Por tudo isto eu sei que ando triste, apenas vim aqui para falar um pouco com o senhor que sei que me escuta. Desculpe a minha tristeza...  

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PÉ CHATO

Antigamente, o pé chato livrava da tropa ou, quando muito, ia-se para os serviços auxiliares. Agora não sei! Ainda há isso, da tropa?

Naquela altura, quem se queria safar tinha que se queixar no momento da inspecção militar. Era assim o procedimento (termo 100% militarista): o mancebo (outro termo que só se usa na tropa!) queixava-se e, com os pés descalços (e o resto do corpo também), pisava uma almofada com tinta e deixava a impressão da sola podal numa folha branca. E era a impressão podal que dava o diagnóstico. Se a arcada plantar não borrava o papel com a tinta, lá levava o carimbo vermelho: APURADO PARA TODO O SERVIÇO.

É que o pé tem uma arcada, a arcada plantar,  que facilita o andar e não provoca dor durante as longas caminhadas que os soldados costumam fazer. Acho que isto do pé chato só deve servir de desculpa, mesmo, para o exército. Os marinheiros têm pouco que andar, em princípio navegam e se têm que caminhar é um caminhar ondulante e limitado ao espaço do convés das fragatas ou ao corredor dos submarinos (aqueles novos que estão sempre avariados) e os aviadores "aviam-se" de avião e não precisam de marchar para nada (ainda se fosse terem que bater as asas...).

(Praia da Vitória - 2004)
Estes pés da fotografia de certeza que fizeram muita tropa e caminhadas, pelos vistos sem sapatos... é que de chatos não têm nada. Já quanto à sujeira...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VOAVA... VOAVA...

"Uma gaivota voava, voava,
Asas de vento,
Coração de mar.
Como ela, somos livres,
Somos livres de voar.

...

Somos um povo que cerra fileiras,
Parte à conquista
Do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
Não voltaremos atrás."

(Somos livres - Ermelinda Duarte).

(Fotografia do autor - Cataratas do Niagara - 2007)

Será que qualquer dia vamos ter que voltar a cantar a "Gaivota" para procurar o pão que começa a faltar? 
É que, sem pão, não há paz que resista!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PERSISTÊNCIA

No meio da rua esburacada, das imensas fissuras do alcatrão, das obras infindas, da confusão, do barulho e da trepidação, o persistente renascer, o persistente renovar da vida, brota, indiferente à força bruta das máquinas, das lagartas das escavadoras, do rolo dos cilindros, das botas pesadas dos operários...

Às obras, quase eternas, da avenida Duque d'Ávila...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SÃO VALENTIM

Convencionou-se que é hoje o Dia dos Namorados!

Acima de tudo são motivos comerciais que fazem reanimar as vendas das prendas, das flores e de "bibelots", dar movimento às mesas dos restaurantes, proporcionar fins de semana ou noites românticas em hotéis cor de rosa e em tudo o que lembre amor, paixão e, hoje em dia e cada vez mais, em sexo.


São Valentim é um santo católico e é o responsável pelo Dia dos Namorados. Conta a História que no tempo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos na tentativa de formar um exército grande e poderoso, com a ideia que, se os jovens se não se casassem  se iriam alistar com mais facilidade. Mas houve um bispo romano, de seu nome Valentim, que, apesar da proibição do imperador, continuou a celebrar casamentos, só que em segredo. Claro que houve quem denunciasse tal prática e o bom do Valentim foi preso e condenado à morte. 

Enquanto estava preso muitos jovens casadoiros atiravam flores e bilhetes para a sua masmorra, dizendo que eles ainda acreditavam no amor. Entre esses jovens estava uma invisual, Astérias, filha do carcereiro que convenceu o pai a deixá-la visitar Valentim. Tantas visitas fez que acabaram por se apaixonar e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. Apesar do milagre, das cartas de amor e  das promessas de amor trocadas, o bom do Valentim acabou decapitado em 720, precisamente no dia 14 de Fevereiro.

O dia de São Valentim é quase como o dia de Natal: comemora-se uma vez por ano e ambos celebram o amor, um o amor da família, outro o amor dos casais. 
Pena é que o Natal não seja todos os dias e o  dia de São Valentim também.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

TOCAR A REBATE

Quando?


Quando se erguerão as seteiras,
Outra vez, do castelo em ruína?
E haverá gritos e bandeiras
Na fria aragem matutina?

Se ouvirá tocar a rebate,
- Sobre a planície abandonada?
E partiremos ao combate,
De cota, e elmo, e a longa espada?
Quando iremos, tristes e sérios,
Nas prolixas e vãs contendas,
Lançando juras, impropérios,
Pelas divisas e legendas? 




(Monsaraz - 2006) 


                                             E voltaremos, - os antigos,
                                             Os puríssimos lidadores,-
                                             Quantos trabalhos e perigos!
                                             Quase mortos e vencedores?

                                             E quando, ó Doce Infanta Real,
                                             Nos sorrirás do belveder?
                                             Magra figura de vitral
                                             Por quem nós fomos combater. 
Camilo Pessanha


Parece que falta a corda ao sino. Será por isso que não se toca a rebate?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

AMANHECER

Já não se recordava de um amanhecer assim! 

O céu azul, de um azul que começou por ser muito escuro, quase negro, e que, à medida que o dia ia clareando, se tornava mais aberto, mais definido, mais aquele azul de que costuma ser a cor do céu. E ainda, nessa manhã, o sol, acabado de acordar, resolveu esborratar aquele azul com umas pinceladas rosas que animaram o quadro imenso de céu que estava perante a sua vista.

                          (Alentejo - em algures em 2004)

Depois, o contraluz, o efeito de sombra chinesa, conseguido pelas folhas e ramos daquela árvore quase despida pelo inverno frio que parece estar de partida, deu o toque de magia que faltava àquele amanhecer especial e único.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

CORES

Descobriu-a num canto do quintal. Num lugar soalheiro, num canto que lhe serve de prenúncio da primavera. Vai lá, todos os anos por esta altura, espreitar, para saber se já há flores ali.

Este ano o brinde saiu mais cedo, ou melhor, os brindes, porque eram dois: é que o recanto, para além do verde viçoso das ervas e das folhas das plantas rasteiras, estava cheio de florinhas azuis e tinha também uma outra flor, uma só, bem maior que as azuis, bem mais alta e  bem amarela. Como se fora filha única no meio do verde e do azul das florinhas rasteiras.

         (Alentejo - Fevereiro 2011)

Lembrou-lhe um sol a iluminar o recanto, um sol amarelo que, ao misturar-se com o azul das flores pequeninas, espalhava o verde pela erva e pelas folhas do recanto. 

Recordou-se, naquele momento, do que aprendera na escola: que a mistura do azul e do amarelo dava verde... e era agora a natureza a dar-lhe um exemplo prático da teoria que lhe ensinaram em jovem.

Claro que o Sol, o verdadeiro, estava bem lá por cima a permitir este colorido de imagem!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A OLHAR

Encostava-se ao granito do muro e ali ficava, horas perdidas, a olhar o longe, a distância, num olhar vago, sem se fixar em nada. O ruído do gado, o badalar dum chocalho, o latido de um cão faziam-lhe virar a cabeça e o olhar nessa direcção mas, logo de seguida, o seu olhar voltava para o longe, para o horizonte do seu alcance...

(Monsanto - Abril de 2003)

Tinha dias em que recordava a sua meninice, a escola, a mestra Aurora, a palmatória que lhe aqueceu muitas vezes as mãos por não saber o nome dos rios; escola que interrompeu na 3.ª classe porque tinha que ir guardar as cabras, dar-lhes o pasto, recolher o leite ao fim do dia e levá-lo, já noite, à queijeira na aldeia ao lado. Tinha medo dos lobos, sabia da história de uma miúda que fora atacada, há uns anos, naquele caminho, que não era mais do que um trilho serrano, aberto pela passagem constante de gente entre os dois lugares. Levava a lanterna de azeite que pouco iluminava, mas que lhe podia servir de arma de defesa ou de arremesso se fosse atacada pelas feras. Também sabia o caminho de cor, as pedras soltas, os requebros, as voltas mais largas, aquele muro de pedra, meio esventrado, que atravessava o caminho e o ramo daquele carvalho que parecia lhe querer barrar a passagem, mesmo à altura dos olhos. No inverno custava, o caminho gelava, as socas de madeira escorregavam, e ela não podia perder o leite... se não, levava quando chegasse a casa, era na cara, ficavam os dedos marcados e o rabo quase sem se poder sentar umas horas. Vida dura, sofrida, solitária.

Não tinha irmãos e, por isso, as tarefas eram todas distribuídas para ela. Via os primos, cada um a fazer as coisas que lhe competiam e ela a fazê-las todas. Brincadeiras, só ao domingo. Jogava à macaca, à bilharda com os rapazes. Nunca chutou na bola de trapos e também nunca teve uma boneca. Fez uma, de trapos, cabeça de pano, uma quase marafona, dormia com ela na enxerga, era a sua companhia, a sua ouvinte de monólogos de menina maternal.

Fora essa a história que lhe contara no fim daquela manhã, beneficiada por um sol morno de inverno. Despediu-se... tinha que ir tratar da sopa para ela e para o marido, que estava a chegar da horta.

Santas tardes, senhor!
 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CHAPÉU DE CHUVA

Andava ansiosa para estreá-lo! Era um chapéu de chuva enorme para o seu tamanho, de um vermelho forte e uniforme, sem desenhos, riscos ou arabescos.

Só não havia chuva; o tempo nebuloso, encoberto, prometia água, mas nada. E ela, desesperada, queria tanto usá-lo, sentir e ouvir a chuva a bater forte, naquele pano cor de sangue, enquanto se passeava, seca, no meio de um chuveiro de água.

Parecia de propósito, mesmo! No dia, em que a meteorologia prometia chuva, com bátegas e vento,  este acordou cheio de sol, quente mesmo, a contrariar, em absoluto, as previsões pessimistas da véspera.

Mas ela estava determinada e não se deixou abater; vestiu aquele vestido azul, leve e simples, pegou no chapéu de chuva, abriu a porta de casa e pôs-se a caminho do campo de lilases amarelos que se estende, num plano inclinado ascendente, até ao sopé do monte que abriga a casa dos ventos.

                           (pintura de rua - Lilases - Praga - 2010)

E o sol a tornar-se intenso àquela hora do meio da manhã, a aquecer a terra, a avivar o amarelo dos lilases e ela, sentindo a cabeça abrasada pelo calor do sol,  abriu o chapéu  continuando o seu passeio descontraído pelo campo fora.

Do alto da varanda, aquele círculo vermelho que se ia afastando, parecia um sol de fim de tarde, bem vermelho, a esconder-se no horizonte amarelo daquele campo de lilases.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O SALMONETE

Já tinha prometida a ida.  Uma espécie de ritual anual.

O almoço dos salmonetes!

Quase obrigatório. Mas a verdade é que, salmonetes, só mesmo em Setúbal. E aquele almoço era quase sagrado.

O mesmo restaurante de sempre e sempre a mesma dificuldade em dar com ele. A confusão das ruas estreitas, dos sentidos únicos, do estacionamento difícil. Vira na segunda rua depois da rotunda, depois desce pela rua do Centro de Saúde, tem a placa a indicar, vira à esquerda na terceira, sobe uns duzentos metros, entra no portão e, se conseguir lugar, estaciona ali.  O resto do percurso para o restaurante faz a pé...

O Assador de Peixe.

Fora o primeiro a chegar. O anfitrião já lá estava, à espera, sentado à mesa comprida. Os mesmos amigos, alguns que só se viam ali... à volta do salmonete, do vinho de Palmela, da conversa, das histórias do António, das considerações do Pedro, das anedotas do Xico, das aventuras do Carlos...

Um a um, a chegarem, os cumprimentos, os abraços, a mesa a compor-se, a conversa a animar, o queijo de ovelha, a mousse de camarão, o carapauzinho de escabeche, o pão de Alcácer, os pimentos padrón e a salada de tomate com oregãos já ali, em cima da mesa, à espera do ataque.

As entradas comidas, numa espécie de ante-estreia para os salmonetes grelhados, regados com aquele molho de fígados a acentuar o sabor único daquela carne branca de pele rosada.

Aqueles salmonetes, daquele mar, absolutamente frescos, do barco para a lota, da lota para o restaurante, sem congelação... O vinho leve, fresco, de sabor suave para não estragar o paladar do peixe.

Pró ano lá estaremos... vira na segunda depois da rotunda, depois vira à esquerda... ou desce pela rua do Centro de Saúde?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

INSTANTÂNEO

Sentado no seu banco olhava fixamente o objecto à sua frente.

O bloco de folhas brancas na mão esquerda e o pincel, molhado numa cor de aguarela, seguro por mão firme e determinada.

Tudo num mundo de silêncio, num ambiente de tranquilidade, numa imobilidade e quietude que, pelo quase insólito, despertavam a atenção de quem ali passava.

O pintor procurava reproduzir o momento, gravar uma memória, sem tempo, na paz do seu espaço.


               (Granada - Espanha - 26-11-2004)

E o fotógrafo, ao passar, não fez mais do que reproduzir o instantâneo desse momento.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O VERDE ALENTEJANO

O Alentejo está lindo!

Os campos estendem-se num tapete verde sem fim a convidar a um passeio. Aqui e além começam a ver-se as primeiras flores a colorir a imensa paleta verde de tons variados.

                (Alentejo, perto de Estremoz -  Fevereiro de 2011)

As mimosas, cheias de flores amarelas, parecem iluminar as beiras das estradas como se fossem archotes a dar luz ao dia, tal a força e a intensidade da cor.

Já falta pouco para se dar início ao espectáculo da primavera, ao colorir dos campos, ao transformar da monotonia em cores de alegria, ao sentir a vida a renovar-se, ao sol a querer  ficar cada vez mais tempo e a prolongar os dias, ao tempo a começar a aquecer e a convidar a passeios sobre estes tapetes verdes, imensamente apetecíveis.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A PORCA DE MURÇA

Mais uma lenda popular ligada a um lugar, neste caso uma vila transmontana, a vila de Murça.

No século VIII esta povoação e os arredores eram assolados por grande quantidade de ursos e javalis, que destruíam as colheitas e atacavam os animais domésticos. Os senhores da Vila, ajudados pelo povo, organizaram várias montarias que extinguiram ou escorraçaram para muito longe os causadores  de tamanho prejuízo. Mas a verdade é que nem todos fugiram ou morreram. Ficou por lá uma porca (há quem diga que era uma ursa) que se tornou o terror dos povos pela sua monstruosa corpulência, pela sua ferocidade, e por ser tão matreira que  dificilmente era avistada pelos caçadores.
 
Em 775, o Senhor de Murça, cavaleiro de grande força e não de menor coragem, decidiu matar a porca, e tais manhas empregou que o conseguiu, libertando a terra de tão incomodo hóspede. 
 
 
 
Em memória desta façanha se construiu um monumento, alcunhado “a Porca de Murça”.

No entanto, há quem defenda que os atributos masculinos bem visíveis não enganam, e que a Porca de Murça é, na verdade, um berrão, do mesmo género dos que se encontram na zona oriental de Trás-os-Montes e relacionados com um culto da fertilidade de povos pré-romanos, ou mesmo um urso, animal frequentemente encontrado naqueles lugares, naqueles tempos.

Seja como for, é hoje um monumento em granito que se ergue sobre uma base,  também em granito, no jardim da praça central, e constitui o "ex-libris" e o orgulho de Murça e arredores.
 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

UM SORRISO NO DIA MUNDIAL DO CANCRO


O Dia Mundial do Cancro é celebrado esta sexta-feira, dia 4 de Fevereiro, com o alerta para a possível morte de 84 milhões de pessoas, até 2015, caso não sejam tomadas medidas.

Nos países de baixo e médio rendimento, os casos mortais devido à doença podem atingir os 70%. E são as  dificuldades de acesso aos serviços de saúde que criam o desequilíbrio no tratamento do cancro entre os países ricos e pobres.
 
De acordo com projecções da OMS, cerca de três em cada quatro novos casos de doenças cancerígenas devem ocorrer na África Subsaariana.

Também, segundo a OMS, apesar da falta de recursos todos os países podem implementar uma estratégia que combine a prevenção, detecção precoce, diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos.

As medidas de prevenção da doença incluem a abstinência ao tabaco, dieta saudável, exercício físico regular, baixo consumo de álcool e protecção contra infecções que podem estar na origem do cancro.

Dentro das medidas de prevenção o Sorriso também devia estar incluído. O poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo de muito importante.

Antoine de Saint-Exupéry disse: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para ele”.

O sorriso traduz, geralmente, um estado de alma, o sorriso é uma manifestação exterior de afecto, o sorriso pode ser um convite a entrar na intimidade de alguém. Talvez seja por isso que o homem é o único animal que sorri; e tanto pode sorrir quando tudo vai bem ou sorrir mesmo que as coisas corram menos bem – tudo se resume na harmonia interior.



Daí a importância do saber sorrir. Se for simpático, o sorriso, pode dissipar uma angústia, se for de aprovação pode estimular um trabalho ou uma actividade, se for sincero pode criar uma amizade e pode aproximar, se for autêntico e espontâneo.

Hoje, as rádios portuguesas promoveram a sexta-feira do sorriso, talvez de propósito ou por coincidência com a celebração do Dia Mundial do Cancro; e nada melhor que um sorriso para animar, para compartilhar, para fazer a vida sorrir...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A LENDA DA SENHORA DA PENHA

Reza a lenda da Senhora da Penha que, andando certo dia um pastor a guardar o rebanho, viu um grupo de malfeitores que planeavam roubar-lhe as ovelhas.

Tendo nessa altura invocado Nossa Senhora, que apareceu ao pastor montada num burrinho e cujas pegadas ainda hoje podem notar-se no granito, transformou o dia em noite, impedindo assim que se consumasse o roubo.

O povo da Vila, vendo que na serra era de noite e sabendo posteriormente o que tinha acontecido, resolveu edificar uma capela à Senhora da Penha. Escolheu para o local o sítio do Pouso, situado no sopé da serra.

Mas cada vez que as obras eram iniciadas, eram misteriosamente destruídas, chegando o povo de Castelo de Vide a montar guarda durante a noite para impedir tal destruição, o que não resultou.

Só quando a capela se começou a construir no local da aparição é que foi possível completá-la e assim, altaneira, olha a vila.

Esta igreja remonta ao séc. XVI. Fica situada no cimo da serra de São Paulo, a 1 km para Sudoeste de Castelo de Vide.
Ao subir para a Capela de Nossa Senhora da Penha, existe um assento de pedra, do lado esquerdo da escadaria de acesso, onde toda a gente se vai sentar para dizer uma quadra que os mais velhos cantavam:

“Cadeirinha de Nossa Senhora,
Cadeirinha do meu bem;
Onde se sentou Nossa Senhora
Sento-me eu também” 
Conta o povo que quem se sentar na cadeirinha, levantar os pés do chão e pedir três desejos e não os revelar a ninguém, esses desejos seriam concedidos. 
A propósito de uma ida à Senhora da Penha saíram estes
TRÊS DESEJOS

Não digo!
Não digo!
Não digo!
Nem que fique de castigo
e com rabo sentado
naquele banco molhado
com os pés fora do chão.
Não,
Não digo!
Porque se o disser
os desejos vão à vida
e fico sem receber
a promessa prometida.
Que o silêncio eu mantenha
e o guarde como penhora
que o não diga à Senhora
que, comigo, foi à Penha.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SENHORA DAS CANDEIAS

Dia 2 de Fevereiro é o dia da Senhora das Candeias, ou da Senhora da Luz.

Segundo a lei de Moisés, a mulher ficava impura com o parto e era proibida de entrar no templo durante 40 dias se tivesse um menino e 80 dias se fosse uma menina. Passado esse lapso de tempo o recém-nascido era apresentado no templo aos sacerdotes com a oferta de um cordeiro, duas pombas ou rolas, e a mãe era purificada, fazendo-se uma procissão em que as pessoas acendiam velas.

O dia de hoje celebra, então, o dia da entrada de Nossa Senhora no Templo, e a apresentação de Jesus aos sacerdotes, após os 40 dias de purificação depois do parto. O Sumo Sacerdote do Templo era Simeão que terá dito as seguintes palavras: "Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo" (Lucas, 2, 29-33).




No dia 2 de Fevereiro já existia entre os cultos romanos a tradição da procissão das luzes. Recorda-se, neste dia, o sofrimento da deusa Ceres, a mãe das colheitas, quando a sua filha Proserpina (filha de Ceres e de Zeus), foi levada para o Inferno por Plutão (Hades) para companheira dele. Ceres vingou-se e, nesse ano, os cereais não cresceram e, por isso não houve colheita. Zeus, conseguiu negociar com Hades a libertação da filha e o seu regresso foi festejado e marcado com a chegada da Primavera; só nessa altura o calendário romano passou a ter as quatro estações.

A festa da Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora das Luzes (ou da Luz),  Nossa Senhora da Candelária, ou ainda, Nossa Senhora da Purificação é celebrada em muitos locais do mundo cristão e, não só.

Para além desta associação à mitologia romana e grega, no Brasil, na Bahia de Todos os Santos,  a festa da Senhora das Candeias está associada à celebração de Iemanjá. A senhora das Candeias é a protectora dos pescadores e marinheiros, tal como Iemanjá.

Nossa Senhora da Luz é, também, tradicionalmente invocada pelos cegos.

Diz-se, na cultura popular, que no dia 2 de Fevereiro se as candeias sorrirem, o Inverno está para ficar, se as candeias chorarem o Inverno está para partir.

Como foi o seu dia? De chuva? De sol? Ou nublado?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

DOM FUAS ROUPINHO

Existe uma lenda sobre a Nazaré que narra que ao nascer do dia 14 de Setembro de 1182, Dom Fuas Roupinho, alcaide de Porto de Mós, caçava com vários amigos nas suas terras junto ao litoral quando avistou um  veado que, de imediato, começou a perseguir. No meio da perseguição surgiu um denso nevoeiro que vinha do mar entrando pelo alto de uma falésia.  O veado tomou essa direcção e Dom Fuas, continuou atrás dele, isolando-se dos seus companheiros de caça.

Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta na qual se venerava uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus. 

Apenas teve tempo de rogar: Senhora, Valei-me!. E eis que, imediata e milagrosamente o cavalo estacou, fincando as patas na ponta da rocha suspensa sobre o vazio, salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.



Dom Fuas, mal se apeou desceu à gruta para rezar e agradecer o milagre. E, no mesmo momento decidiu mandar construir, sobre a gruta, em memória do milagre, uma pequena capela,  a Capela da Memória, para ali ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem.  O local chama-se "O Sítio".

Até hoje, a tradição aponta aos visitantes a marca deixada por uma das patas do cavalo de D. Fuas, no extremo da Ponta ou  Bico do Milagre, ao lado da Capela da Memória.

Dom Fuas está tão ligado à Nazaré e ao Sítio que até existe uma quadra popular que reza assim:
"Na praia da Nazaré
Reina grande burburinho,
As senhoras de roupão
E o Dom Fuas de Roupinho"

Mais uma lenda tradicional portuguesa.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O GALO DE BARCELOS E SANTIAGO DE COMPOSTELA

É uma lenda, uma história que se conta, provavelmente sem fundo de verdade, provavelmente também, uma história verdadeira que o povo soube transmitir através da tradição oral.

Segundo a lenda do Galo de Barcelos, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime, do qual ainda não se tinha descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. Apesar dos seus juramentos de inocência, dizendo que estava apenas de passagem em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento duma promessa, as autoridades resolveram prendê-lo.


Condenado à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou: "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem." O juiz ignorou o apelo, mas quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. 



Compreendendo o seu erro, o juiz correu e mandou soltar o homem imediatamente e foi mandado em paz. 

Alguns anos mais tarde, o galego teria voltado a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a São Tiago, monumento que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.

domingo, 30 de janeiro de 2011

CARPE DIEM

Resolveu não fazer nada nesse dia. Fechou-se em casa e, por ali ficou!

 Tinha necessidade de um dia em que não fizesse nada, mesmo nada. Deixou-se ficar pelo sofá, com a televisão ligada, os jornais ali ao lado, a lareira acesa a aquecer e a compor o ambiente, a caneta para as palavras cruzadas e o Sudoku, mais nada!

Aconchegou-se no seu canto, meio enrolado, e foi fazendo "zaping" até encontrar um daqueles programas sobre a natureza e que  tanto gosta.

Tinha tido uma semana de muito trabalho, de muito "stress", de muitos problemas profissionais, reuniões decisivas... De tal modo que, do alto dos seus já longos anos de vida, resolveu dedicar um dia a si próprio, sem nada que o incomodasse, um dia em que lhe desse para fazer o que bem lhe apetecesse, poder ir a um cinema ou a um teatro, um dia para ir à praia, agora não, mas no tempo quente, ou, até, ir à Trindade comer aquele bife que tanto gosta: com o molho à café, o ovo a cavalo e as batatas fritas de palitos grossos, estaladiças a fazerem-lhe crescer água na boca.

O pensar no bife abriu-lhe o apetite, quase que o pôs como ao cão do Pavlov, a salivar, tentou aguentar-se ali, no conforto do sofá e da lareira, mas não resistiu, foi buscar o capote de alentejano, pôs o chapéu, meteu-se no carro, e por aí foi, até Lisboa, para comer o seu bife e beber a cerveja, indispensável; a seguir foi ao cinema e assim, quase num mesmo dia, ia esgotando os seus propósitos de um dia só para si!

sábado, 29 de janeiro de 2011

TEMPORAL

Soube bem assistir à tempestade; da janela via o castelo ao longe, a igreja do outro lado e o céu negro, preto mesmo, com a chuva a cântaros, o vento e as rajadas a turvarem a visão, e a trovoada, os raios e os trovões a imporem um misto de temor, de respeito e de impotência.

Naquele dia, de pausa de vida, de tranquilidade interior, de descanso intelectual, aquela tempestade apareceu-lhe como um espaço/momento propício para fazer uma catarse das suas vivências, uma reflexão de momentos de vida e uma perspectivação de futuro.

O dia tinha acordado frio e ventoso, um dia de um inverno, de um Janeiro típico; lá ao longe as nuvens acastelavam-se em amontoados pretos, de volume assustador, rápidas na junção, ameaçadoras, com cordas negras que as ligavam ao chão. A chuva grossa ia enchendo as ruas de riachos de água, ensopava a terra, molhava o dia e escorria em lágrimas grossas  pelos vidros daquela janela enorme.

Arrefecera bruscamente e apetecia um casaco de malha grossa e uma bebida quente no bar do hotel. As paredes e portadas de vidro que davam para o jardim deixavam assistir ao espectáculo do temporal e ali, sentado no isolamento dos seus pensares, deixava a mente divagar sobre a vida, questionar-se sobre o futuro, encontrar momentos de paz, de tranquilidade, quase de prazer.

O chá verde com menta, acompanhou-o na vivência daqueles momentos... 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

DOWNLOAD

Não conseguia atinar com a solução do problema, não sabia como resolver a questão, tinha dúvidas, tinha experimentado da maneira intuitiva mas não percebia para que servia, nem como o fazia.

Tentou de várias maneiras, experimentou repetir os exemplos demonstrativos, mas não dava, não entendia mesmo.

Era sempre assim, isto de computadores, de programas, de informática, não era muito com ele. Gostava mais de papel e lápis, da borracha, de livros de consulta, de dicionários. Escrevia tudo num caderninho e assim não se esquecia do que tinha a fazer, nem do que tinha feito.

Mas agora o problema era outro: tinha que acabar o trabalho, faltava-lhe a solução, uma só palavra e ficava tudo resolvido.

Teve uma ideia, telefonar ao Sequeira, um barra em informática e pedir-lhe ajuda.

Simples, disse ele, vais ao programa e fazes o download.

É verdade, simples, estava tudo lá.

Faltava a palavra mágica, DOWNLOAD.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MADE IN CHINA

Carregou na tecla e nada. Nem um "pi", nem uma mudança de imagem, nem uma vibração.

Estranho, aquilo não funcionar! Tinham-lhe dito que nunca se avariava, garantidamente! Tinha acabado de o receber! Mas a verdade é que não funcionava! O visor apagado, as teclas sem som, nada... como um ser inanimado.

Bem, ser não era, porque não era um ser vivo, era mesmo um objecto, feito na China - "made in China" - uma cópia perfeita do original, as mesmas etiquetas, as mesmas nervuras, o mesmo software. Não havia diferenças. Apenas o toque, ao tacto, notava-se que era de qualidade diferente, não tinha aquele toque macio e suave do original, mas um sentir ligeiramente mais áspero. De resto... não havia diferença. A não ser o facto de estar avariado, agora, precisamente na altura em que ia precisar dele... Bolas!

O problema é que não tinha como mandar reparar, tinha encomendado pela net, tinha vindo pelo correio e fora-lhe entregue em casa. 

Resolveu ir à loja do original, a contar o problema, mas fazendo de conta que lho tinham oferecido, vindo  dos Estados Unidos. O recepcionista observou-o, ligou o pequeno botão lateral e abriu normalmente, aquele "tlá lá lim" (ou não fosse chinês) de abertura, o visor colorido a mostrar aquela fotografia da Grande Muralha, e as teclas a fazerem o "pi" característico. 


Tão simples, aquele botão ali de lado, não tinha reparado nele... também nunca tinha lido as instruções... é que vinham em chinês! 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O CHEQUE

Demorou a pagar, foi preciso muita insistência, mas pagou. Uma nota pesada!

Veio sob a forma de cheque, um cheque  cinzento, com as letras do nome do banco, no cimo, bem vermelhas e gordas. Mas o que interessava, mesmo, era a importância, o que estava manuscrito com letras pretas, o numerário, o valor inscrito, aquele dinheiro que estava à espera fazia tempo.

Agora podia satisfazer os desejos de realização da viagem há tanto sonhada, podia avançar nas prestações do carro e, ainda, pôr algum dinheiro a render.

Até parecia um sonho... nunca pensara que isto ia acontecer, com tanta burla, trafulhice e desonestidade por aí, receber este cheque estava fora das suas esperanças. Claro que, no fundo, sempre imaginara um dia vir a receber o dinheiro mas, quando caía na real, essa ideia desvanecia-se  e tudo voltava ao mesmo, à mesma certeza de que nunca mais ia ver aquele dinheiro.

Mas, desta vez, enganou-se. Tratou logo de assinar o cheque, de colocar o número da conta, e preparar-se para ir depositá-lo no banco, sem perdas de tempo. Quanto mais cedo o fizesse mais cedo teria o dinheiro disponível.

Para que não o perdesse resolveu ficar como cheque na mão, bem preso, bem agarrado. Só o largou quando o despertador tocou e abriu a mão para parar aquele som maldito, aquele som que o acordou... de um sonho ricamente maravilhoso!