O Sr. Lourenço vende jornais, melhor, vendia.
Sempre o conheci atrás do balcão da tabacaria do Centro Comercial.
Educado, sereno, discreto, pouco falador, mas eficiente e pontual na hora da abertura. Às vezes o Jornal chegava atrasado e ele pedia desculpa por não o ter àquela hora, como se fosse culpa sua, mas prontificava-se a guardá-lo.
Ultimamente começou a emagrecer, o cabelo a ficar mais ralo, o ar a entristecer, as rugas da face a vincarem-se, as maçãs do rosto a acentuarem-se, os dedos a ficarem mais finos e as mãos a mostrarem o desenho dos ossos, os olhos a amarelecerem cada dia, a ficarem encovados, a voz a ficar mais fraca e a notar-se uma lentidão na fala, os gestos mais limitados e o cansaço a tornar-se, cada vez, mais presente.
De certeza que andava doente, com um mal daqueles que ninguém gosta de falar, uma doença prolongada... só que esta tem sido rápida, de poucos meses.
Agora já não vai trabalhar. Não pode. Está acamado, em casa, pesa um pouco menos de 30Kg, não tem forças para nada, nem para abrir os olhos, menos ainda para falar. Mas ainda se mantém agarrado à vida, ou será que é esta que está presa a ele?
O Sr. Lourenço sempre foi boa pessoa, um bom trabalhador, sem vícios conhecidos, sem maus hábitos de bebida ou de tabaco.
Ainda é um homem novo mas não lhe vai valer de nada.
Não sei se ainda estará vivo quando este Blog sair.
Mas não quero deixar de prestar a minha homenagem a um homem simples, a um homem leal à casa onde trabalhou, a um homem que cumpriu, sempre bem, o seu dever, a um homem educado e correcto com todas as pessoas.
Vou sentir saudades suas, sempre que for comprar o Público ou o Expresso!









