domingo, 20 de outubro de 2013

COGUMELOS


Agora, com as noites mais frescas e com alguma humidade, com o orvalho a cobrir o chão...

Surgem... como cogumelos!


(DO AUTOR - COGUMELOS A BROTAR)


sábado, 19 de outubro de 2013

AMARELAS


Quase parece primavera...

De um dia para o outro o relvado encheu-se de flores amarelas... viçosas, bem coloridas, bem abertas... 

Bastaram uns dias de chuva, um calorzinho e bastante sol... e a natureza a reagir aos seus sentires...

Ficam bem... a contrastar com os castanhos e vermelhos das folhas das videiras ali ao lado...

(DO AUTOR -  FLORES AMARELAS DE OUTONO)


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

BOLOTAS


Começaram a cair agora... O chão está cheio...

Os sobreiros e os carvalhos estão a libertar-se delas e, à sua volta, o terreno está atapetado destas glandes castanhas e lustrosas...

Habitualmente servem de alimento ao porco e ao peru que já está engordar para o Natal...

Antigamente eram muito usadas em culinária, como substituto da farinha, na confecção de bolos, no acompanhamento de pratos de carne e, mesmo, assadas como as castanhas...

Agora,  tal como com a alfarroba, já se começam a ver, por aí,  bolachas e bolos secos feitos com farinha de bolota... à maneira tradicional!

Estas, vou apanhá-las e assá-las... São boas e quentes... como as castanhas!

(DO AUTOR - BOLOTAS)



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A AMADURECER


Já falta pouco tempo...

A árvore está cheia, carregadinha, a vergar os galhos para o chão sob o peso dos frutos...

Bem característicos desta época... os dióspiros (ou caqui)... juntamente com as castanhas, as romãs, os marmelos, os medronhos...

E, estes, são dos moles, dos que se comem à colher, com um pouco de canela (de novo a Rota das Índias)... de sabor adstringente mas, ao mesmo tempo, adocicado, a fazer cócegas na língua e a encarquilhar o paladar... uma delícia...

É só uma questão de tempo!

(DO AUTOR -  OS DIÓSPIROS A AMADURECEREM...)


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PICANTE


Não dispensa um bom condimento. Gosta da comida apaladada, sem perder o sabor do alimento, mas exaltada pelo picante... 

Reminiscências da Rota das Índias (?), do comércio das especiarias, do cravo, da canela, do caril, do açafrão, da pimenta, do piripiri...

Agora, só espera que amadureçam depressa para, de seguida, as colocar num frasco e lhes juntar o azeite virgem, o uísque de malte, um cheiro de aguardente e duas ou três pedras de sal... 

Depois, é só dar tempo ao tempo...  

(DO AUTOR - AS MALAGUETAS, QUASE NO PONTO!)


terça-feira, 15 de outubro de 2013

PARTIR...

 
 
É o que apetece... partir! Ir daqui para fora... sair!
 
É que nos querem afogar... Qualquer dia até nos cobram para respirar!
 
Hoje são dez por cento... Amanhã um pouco mais, até ficarmos sem qualquer espécie de sustento!
 
Vão acabando com as pensões... Vão dando cabo dos velhos, dos doentes, dos inválidos, sem lugar a distinções!
 
Aumentam as taxas, sobe o gás, sobe a eletricidade... mentem tanto que já não se sabe quando falam verdade!
 
É mesmo o que apetece... pegar na mala e zarpar...
 
Para onde?
 
Sei lá... desde que não tenha que os aturar...
 
 
(DO AUTOR - O EMIGRANTE - CANGAS DE ONÍS)
 
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

OUTONAL



"Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
- Brumas longínquas do País do Vago...

Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
- Vestes a terra inteira de esplendor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas
Em que soluço a delirar de amor..."


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)



(DO AUTOR - AS FOLHAS DE OUTONO)


domingo, 13 de outubro de 2013

ENTARDECER


À tardinha, quando o dia ainda é dia mas mais logo será noite, quando o sol começa ir embora mas ainda enche de luz e de oiro a paisagem que se avista, quando é hora para a despedida mas ainda não apetece ir embora... é bom ficar, tranquilamente, a ver o entardecer...  



(DO AUTOR -  O FIM DE TARDE NO TEJO, DA OUTRA BANDA...)


sábado, 12 de outubro de 2013

BEIRA-MAR



Gosto dos fins de tarde junto ao mar...

Gosto de sentir o cheiro da maresia, gosto muito do seu murmurar quando está calmo e do seu rugir quando se zanga, gosto de ver a ondas a beijarem o areal, gosto da neblina que coa as cores do sol poente...

E, nesses momentos de contemplação e de solidão, gosto de lembrar Sophia a falar para o mar...

"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
seres um milagre criado só pra mim."

Sophia de Mello Breyner Andresen - Mar Sonoro



(DO AUTOR - O MAR NA PRAIA DE SÃO LOURENÇO)


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

FALTA UM MÊS


Falta um mês... 

As castanhas, ainda no aconchego do seu útero espinhoso, estão quase prontas a serem paridas... 

O vinho novo continua a ferver na adega e a apurar-se no álcool e no aroma...

O Verão, esse, continua por aí...

... pois é, já cheira ao São Martinho que não tarda a chegar...

Falta um mês...


(DO AUTOR - AS CASTANHAS PRONTAS A SEREM PARIDAS)

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

NAQUELE FIM DE TARDE...



Naquele fim de tarde em que o calor sufocante do dia se foi transformando numa brisa amena, as cores do céu foram passando do azul intenso ao rosa suave, o ambiente se foi enchendo de silêncios que iam abafando os ruídos incómodos e o sol se escondeu por detrás dos montes distantes... soube bem estar ali, a deixar que a noite acontecesse!  


(DO AUTOR - FIM DE TARDE EM MARVÃO)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O VELHO E A FLOR


"Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor."

Vinícius de Moraes - O Velho e a Flor.




(DO AUTOR - A FLOR DO AMOR?)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

À ESPERA


Falta pouco para se libertar, para quebrar o cordão umbilical que a liga à árvore mãe... 

Enquanto viva, cheia da clorofila que lhe dava a cor verde, cumpriu a sua missão a favor do ambiente. Resistiu aos temporais, às chuvas, ao frio cortante, ao calor inclemente...  

Agora aguarda, serena, a chegada do vento... de uma brisa ténue que a faça soltar, oscilando-se pelo ar suavemente, ou da rabanada forte que a faça bailar pelo ar, num rodopio final...



(DO AUTOR - FOLHA DE OUTONO AGARRADA À VIDA)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

OURIÇOS


Estão quase... mais um sol, mais uns dias... e, rapidamente se acastanham na cor e na saída do fruto...
 
Pudera! O São Martinho está à porta e a Água Pé está quase pronta!



(DO AUTOR - OS OURIÇOS A AMADURECEREM)



domingo, 6 de outubro de 2013

RUBRO


Persistiu...

Ficou agarrado ao pé que lhe deu vida...

Cresceu botão, abriu flor, gotejou néctar, deixou que as abelhas lho levassem e fosse polinizada, deu fruto, bem verde e duro...

Com tempo, a seiva, o sol e os calores encheram-no, avermelharam-lhe a pele, adocicaram e amadureceram o pomo e ficou um belo fruto, lá no alto do arbusto onde mãos gulosas não conseguiram chegar...

E ali ficou... persistente, rubro... esperando... 


(DO AUTOR - A PERSISTÊNCIA RUBRA NUM OUTONO DE CASTANHOS - EM GUILFORD)




sábado, 5 de outubro de 2013

O CINCO DE OUTUBRO


Antigamente era um dia feriado porque era o dia da comemoração da implantação da República... Era, e não é, porque já não se comemora mais...

Acabaram com o feriado!

Agora, apenas aquela meia dúzia de eleitos, políticos claro!, é que comemora o dia... mas à porta fechada, não fosse o povo humilde e sacrificado estragar a cerimónia...

O ano passado a atrapalhação foi tanta que o Cavaco até içou a bandeira de pernas para o ar (ou ameias para baixo, melhor será!)...

Hoje, não içou bandeiras mas foi vaiado, assobiado, injuriado... e a cidade foi-se enchendo de barreiras metálicas junto à praça do Município e na periferia da Assembleia da República... não fossem os senhores deputados, os políticos e outros serem incomodados pelo povo miserável que lhes vai pagando os ordenados...

Também não sei se haverá lugar para se comemorar esta república que vai fedendo a injustiças, a atropelos, a manipulações, a roubalheiras, a compadrios,  a desvios, a mentiras, a tudo o que queiram... 

Honestidade, verdade, seriedade, lealdade, compromisso são palavras que foram apagadas do léxico dos nossos políticos e governantes...

Comemorar a implantação da República? E para quê, afinal?


(DO AUTOR - A BANDEIRA DESTA REPÚBLICA DESTROÇADA)



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PRIMEIRAS CHUVAS


Passaram as primeiras chuvas deste Outono ainda criança... A água, que tudo molhou, avivou os verdes, fez brilhar, ainda mais, os amarelos e acentuou os castanhos e os vermelhos da Serra...

A mata, revigorada pela chuva, convida a passeios longos, mas exigindo um caminhar cauteloso naquele chão escorregadio, atapetado da caruma castanha, ainda húmida, e semeado por tufos de fetos e pinhas, dispersas, bem abertas...  

E o cheiro, a molhado de fresco, combina-se com os aromas da resina dos pinheiros e mistura-se com o dos castanheiros que começam a abrir os ouriços, libertando as primeiras castanhas...

Só faltam agora os frios das noites e das madrugadas para que os cogumelos, os tortulhos e os míscaros comecem a brotar do meio daquele chão, tão macio e fofo ao caminhar...


(DO AUTOR - AS PINHAS ABERTAS)


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

VERMELHO OUTONAL


São as cores das folhas de Outono... 

Começam com os verdes fortes que, sorrateiramente, vão empalidecendo... depois, rapidamente, amarelecem e, num voltar da própria folha, tornam-se castanhas, manchadas de tons mais escuros... algumas caem com um soprozinho de vento, outras vão resistindo, agarradas à vida do ramo frágil...

Mas algumas tornam-se vermelhas, da cor do fogo, da cor do sangue... rubras como a da cor de uma bandeira a agitar-se aos ventos de Outono...  


(DO AUTOR - FOLHAS VERMELHAS NA PUJANÇA DO OUTONO)


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

TEXTURAS


Brotou do chão numa folha, cresceu lenta com o vagar do tempo, com o correr das estações... as chuvas, os ventos foram-lhe moldando e esculpindo o tronco, foi engelhando a pele ao sofrer do frio das noites de inverno e dos calores do verão... deixou que os anos lhe fossem desenhando curvas, veios e estrias...

Engrossou o tronco, estendeu os ramos, cobriu-se de folhas, floresceu na primavera e deu os frutos ao findar o verão... foi vindimada e deixou que as parras, depois de avermelharem, caíssem com as brisas e as primeiras chuvas do outono...

Agora, de textura ressequida, de aspecto envelhecido, carregada das cicatrizes do tempo, vai adormecer num sono prolongado para, mais tarde, despertar de novo...  



(DO AUTOR - TEXTURA LENHOSA DE UMA VIDEIRA VELHA)



terça-feira, 1 de outubro de 2013

O HOMEM E A MULHER


"O homem é a mais elevada das criaturas,
a mulher o mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono,
para a mulher um altar:
o trono exalta e o altar santifica.

O homem é o cérebro,
a mulher o coração:
o cérebro produz a luz, o coração produz amor.
A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é o génio,
a mulher é o anjo:
o génio é imensurável, o anjo indefinível.

O homem tem a supremacia,
a mulher a preferência:
a supremacia significa força, a preferência representa o direito.

O homem é forte pela razão,
a mulher é invencível pelas lágrimas:
a razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos,
a mulher de todos os martírios:
O heroísmo nobilita, o martírio purifica.

O homem pensa,
a mulher, sonha:
pensar é ter uma larva no cérebro, sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um código,
a mulher é um evangelho:
o código corrige o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um oceano,
a mulher é um lago;
o oceano tem a poesia que deslumbra, o lago a poesia que adorna.

O homem é a águia que voa,
a mulher o rouxinol que canta;
voar é dominar o espaço, cantar é conquistar a alma.

Enfim, o homem está colocado onde termina a terra,
a mulher onde começa o céu".



Victor Hugo - O homem e a mulher.




(DO AUTOR - O HOMEM E A MULHER NUMA VALSA DE VIENA)


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

FLOR DE SONHO


A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim,
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia... ou, talvez, sina...

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha'alma
E nunca, nunca mais eu entendi...

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas" - Flor de Sonho



(DO AUTOR - FLOR DE SONHO)











domingo, 29 de setembro de 2013

A ACENAR


Ainda não sabia dos resultados... mas já estava a adivinhar o que ia acontecer... Mal fechassem as assembleias de voto no arquipélago dos Açores, cada um a dizer que tinha ganho, que os adversários tinham perdido, que os resultados foram históricos, que aconteceu uma grande lição de democracia, que a chuva foi a culpada da abstenção... que mais isto e que mais aquilo...

Todos diziam das suas barrigas, da sua força, da sua importância, das câmaras que tinham ganho, das que os outros tinham perdido, da expressão dos resultados...

E ele, ali, feito povo, pobre, desprotegido, esquecido, esfarrapado e enferrujado, a acenar, a chamar a atenção, a lembrar que as eleições foram feitas dos votos dados por esse povo e para o seu benefício... e não para o benefício e o bem-estar da meia dúzia do costume...


(DO AUTOR - A ACENAR - JARDIM DO TARRO - PORTALEGRE)

sábado, 28 de setembro de 2013

REFLEXÃO


Hoje estou assim, meio sem saber o que fazer...
Vou votar ou não votar?
Vou pôr a cruz em que lugar?
Ou deixar tudo em branco e sem nada escrever?

E se optar por um partido?
Por uma coligação?
Ou por um independente? Será sempre uma opção...
Mas nem sei! qual deles seria o preferido...

Bem, vou continuar a pensar,
Vou pôr-me em reflexão...
Sento-me na beira do balcão
E fico-me, por aqui, a cogitar...



(DO AUTOR -  REFLEXÃO - DESENHO A ESFEROGRÁFICA)








sexta-feira, 27 de setembro de 2013

E LÁ NO FUNDO DO OCEANO...


... onde a bruma é feita de mistérios e de sombra,
onde a chuva une o mar ao firmamento,
e as negras nuvens acentuam a penumbra,
navega, solitário, o pensamento...
(DO AUTOR - CORDAS DE ÁGUA A LIGAR O MAR AO FIRMAMENTO)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

NA RÉSTIA DESTE SOL QUE AINDA DURA...


... deste fim de tarde que agora acontece,
vejo o sol a partir na despedida
de mais um dia que, com a noite, se esvanece...


(DO AUTOR - FIM DE TARDE EM MARVÃO)