quarta-feira, 6 de março de 2013

PASSEIO DOS POETAS - 1



(DO AUTOR - PASSEIO DOS POETAS - PRAIA DA VITÓRIA - ILHA TERCEIRA - AÇORES)



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terça-feira, 5 de março de 2013

PLANTINHAS


Aproveitam o sol de inverno para saltarem das juntas daquele velho muro de pedra... 

Um pequeno e frágil caule que emerge e espreita a vida de luz que faz contraste com o escuro de onde veio...

E desse caule, que se vai bifurcando, vão nascendo  pequeninas folhas, de um verde húmido que, rapidamente se abrem em redondo e se pintam de um vermelho intenso e gritante...

Um sinal de cor, um chamar de atenção, um alerta de vida a saudar o renascer de mais um ciclo...

É a natureza a expressar-se e a saudar o sol e a vida... 


(DO AUTOR - FOLHAS VERMELHAS)


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segunda-feira, 4 de março de 2013

ÁRVORES DA FLORESTA


"Vai lá longe, na floresta,
Um som de sons a passar,
Como de gnomos em festa
Que não consegue durar...

É um som vago e distinto.
Parece que entre o arvoredo
Quando o rumor é extinto
Nasce outro som em segredo.

Ilusão ou circunstância?
Nada? Quanto atesta, e o que há
Num som, é só distância
Ou o que nunca haverá."

Fernando Pessoa, Vai lá longe, na floresta.

(DO AUTOR - A FLORESTA NA SERRA DE SÃO MAMEDE)



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domingo, 3 de março de 2013

GAIVOTA


"... Como os mais belos harmónicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma recta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons..."

Vinícius de Moraes -  Uma música que seja.



(DO AUTOR - O VÔO DE UMA GAIVOTA)



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sábado, 2 de março de 2013

MANHÃ PURA


"...
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
..."
Chico Buarque - Abandono.

Será passear nas margens do aborrecimento
Contando os dias um por um (?)...
Será pensar que o amanhecer é sofrimento
E a dor passar a ser um mal comum (?)...

Ou será sentir que o sol que nos aquece
Nos pode encher a vida de cor e alegria...
Se com ele vier, junta, a paz que se merece
Dando mais razão ao viver de cada dia...  
   




(DO AUTOR - PASSEANDO, SÓ, À BEIRA DO TEJO NA MANHÃ DE SOL)



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sexta-feira, 1 de março de 2013

MARÇO


Março, marçagão
Manhãs de inverno
Tardes de Verão...

(DO AUTOR - TARDE DE MARÇO EM PLENA SERRA)



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O SENHOR LUÍS

O Senhor Luís é um homem do campo! Amanha a terra, guarda o gado e, para onde vá, leva sempre o seu burro e o seu chapéu!

O Senhor Luís é bem disposto e tem sempre um sorriso estampado no rosto, mesmo quando as coisas não correm pelo melhor.

O Senhor Luís gosta do seu copo, fuma o seu cigarrito e, quando a vida lhe permite um descanso, lá vai até ao café da aldeia encontrar-se com os amigos. Falam da bola e dos golos do Ronaldo, se há uma quadra de jogadores sentam-se na mesa quadrada do canto e lá se joga uma sueca ou uma lerpa, tudo a tostões ou, se é domingo e está sol não perde uma partida de malha...

O Senhor Luís nunca larga o chapéu e só o tira diante do padre, na Igreja, do Juiz quando tem que ir pedir algum conselho e do médico quando o tem que ir visitar...

Hoje, ao ver o Senhor Luís lembrou de um autor bretão, Pierre-Jakez Helias e do seu livro "Les autres et les miens" onde o herói, também, nunca tirava o chapéu e só descobria a cabeça perante as mesmas personagens....



(DO AUTOR  - MOMENTO DE DESCANSO)



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

FLORES


"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; senão houver folhas, valeu a intenção da semente."

Henfil - Henrique de Souza Filho



(DO AUTOR - FLORES SÃO FRUTOS QUE AINDA NÃO NASCERAM)





terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

OARISTO



Passam horas a fio nisto, olhando-se de frente, olhos nos olhos, a imitarem-se... se um levanta a cabeça a outra também o faz... se uma roda a cabeça para um lado o outro faz o mesmo...

Como se, entre os dois, houvesse um espelho e a  imagem de cada um se estivesse a reflectir no outro...

Ele, o preto, o Ouriço, é o gato, o dono do lugar.

Ela, a listrada, sem nome, apareceu por acaso... atraída pelo encanto do negro? ou rendida ao prato, certo, de comida?

Houve uma, antes desta, chamada Castanha, que lhe deu filhos facilmente... E, talvez porque tudo aconteceu facilmente, não houve necessidade de grandes namoros, de seduções, de ritos ou de simbolismos...

A listrada, não! Quer ser seduzida, quer ser bem namorada... adora ser cortejada... suspira de desejo, espreguiça-se de consolo mas, não mais do que isso! Até agora, filhos?, nada!

O Ouriço olha-a e, de vez em quando, agita lentamente a cauda e ela, numa simetria de movimentos, imita-o, ele mexe a pata de uma maneira quase imperceptível e ela, quase no mesmo segundo, repete o gesto...

São dias nisto, num silêncio de gestos, de simetrias... mas hoje, diante do prato da comida deliciosamente cheio, os gestos confundiram-se com miados suaves, com murmúrios sufocados, com ronronares cantados, como uma conversa a dois, num diálogo de amor... um verdadeiro oaristo!



(DO AUTOR - O GATO PRETO E A GATA LISTRADA)


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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A BANDEIRA


Dá gosto vê-la, assim, bem aberta, desfraldada ao vento, no alto do mastro, a afirmar Portugal.

E fica bem, junto ao Tejo, a saudar quem passa, a dar as boas-vindas a quem entra e a despedir-se de quem sai...

Esta bandeira tem as sete quinas e não sete pagodes, como a que foi hasteada em Bruxelas no Parlamento Europeu.

E, de certeza que esta foi içada, com todo o respeito e cuidado, muito provavelmente, por um modesto e zeloso funcionário da Câmara Municipal e não por um Presidente da República que a içou, de pernas para o ar, nas comemorações do Cinco de Outubro passado.




(DO AUTOR - A BANDEIRA PORTUGUESA COM AS QUINAS E NA POSIÇÃO CORRECTA)



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domingo, 24 de fevereiro de 2013

JARDIM COM FLORES


"Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão!)."


Cecília Meireles, in Leilão de Jardim



(DO AUTOR - CAMPO DE FLORES NA PRIMAVERA QUE ESTÁ A CHEGAR)
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sábado, 23 de fevereiro de 2013

A RIBEIRA DE NISA



Nasce um pouco mais acima,em plena Serra de São Mamede, a Ribeira de Nisa, e vai desaguar no Tejo, perto das Portas do Ródão.

Aqui, no local de São Bento, corre cheia no inverno e quase deixa escorrer um fio de água, com uma ou outra poça, no verão.

Tem pequenos locais com sombra e temperatura amena que, na estiagem, bem apetecem!

Constitui um pequeno ecossistema que faz as delícias dos amantes da natureza.

Hoje, corria forte, com a correnteza rápida, e as águas tão cristalinas, como geladas...


(DO AUTOR - A RIBEIRA DE NISA EM SÃO BENTO)


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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

TEM DIAS



Uns de sol e calor, outros de chuva e frio, uns de primavera, outros de inverno, uns agrestes, outros amenos, uns radiosos, outros nebulosos... 

Hoje de manhã cedo, Portalegre, estava assim...


(DO AUTOR - A DESCER DA SERRA PARA A CIDADE)



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

MANIFESTO ANTI-RELVAS


À laia do Manifesto anti-Dantas do Almada Negreiros:


Basta PUM basta!

Uma geração que consente deixar-se representar por um Relvas é uma geração que nunca foi! Um governo que tem lá um ministro como o Relvas é um governo que nunca poderá governar com decência, honestidade e seriedade...

Abaixo tudo isto!

Abaixo o Relvas, Abaixo PIM!

O Relvas é doutor porque um dia visitou uma universidade e pediu equivalência!

O Relvas saberá gramática, porque um dia viu uma na montra de uma livraria, saberá medicina, porque aplicou um penso rápido na cozinheira que tinha cortado um dedo, saberá cantar, porque deu um desconcerto da Grândola vila morena!

O Relvas quer ser o novo Papa, porque um dia foi à missa e pediu equivalência!

O Relvas nunca devia ter entrado neste Governo...

O Relvas é um habilidoso!

O Relvas veste-se mal!

O Relvas é Relvas!

O Relvas é Miguel!

O Relvas não presta...

Morra o Relvas, Morra! Pim!

(Retirado da Net)


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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

COELHINHO DA PÁSCOA


Toda a Páscoa costuma ter o seu coelhinho! 
 
Seja de chocolate, de peluche, um bolo com a forma do dito...
 
E costuma, também, ter ovos! De chocolate, dos verdadeiros, mas cozidos e pintados de cores garridas, ou envoltos em pratas com desenhos geométricos variados, ou, para os mais ricos, os célebres ovos russos de Fabergé...

Não sei esta Páscoa teremos o coelho ou os ovos. Pelo caminho que as coisas estão a tomar vai-nos restar, apenas, o Folar, não o tradicional, mas um folarzinho feito de farinha rala, pouco fermento e alguma água.

O outro coelho, que não o da Páscoa, o Coelho que nos anda a tramar, que só vê o que ninguém mais vê, que nos encarrilou numa viagem feita numa linha de bitola cada vez mais estreita, ainda não se apercebeu que, cada dia, vai sendo mais difícil o salto para a vida digna que todos merecemos. Ele que que se acautele porque se não, qualquer dia - será que chegará à Pascoa? -, quando se aperceber que se enganou no caminho e na viagem e quiser dar o pulo para fugir da cerca de arame farpado com que a troyka nos rodeou, e que ele ajudou a colocar, irá sentir, também na sua pele, as farpas do arame que o irão manter prisioneiro para o resto dos seus dias.

 
 

(DO AUTOR - APANHADO NAS MALHAS)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MIMOSAS


Fevereiro já vai a mais de meio e elas, as mimosas, aqui estão!, bem amarelas, a mancharem os montes verdes da Serra e a alinharem-se ao longo das bermas das estradas...

Mais um prenúncio da primavera que se aproxima... 


(DO AUTOR - MIMOSAS VIÇOSAS)





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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PEQUENA FLOR


"Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
E se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
Na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme,
E vê passarem as leves borboletas livremente,
e ouve cantarem os pássaros acordados sem angústias
E o sol claro do dia às claras estátuas beijando sente
E espera que se desprenda o excessivo, húmido orvalho
Pousado, trémulo, e sabe que talvez o vento
A libertasse, porém a desprenderia do galho
E nesse temor e esperança aguarda o mistério transida
- Assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
Há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida."

Cecília Meireles - Pequena Flor




(DO AUTOR - PEQUENA FLOR AZUL NA SERRA DE SÃO MAMEDE)

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domingo, 17 de fevereiro de 2013

INEGÁVEL



Apesar da inconstância do tempo, do sol e da chuva, do calor e do frio, da praia e do esqui, da T-shirt e do capote, a verdade é que a primavera já começou a abrir os olhos e a querer gatinhar por aí...

Os dias já estão mais longos - "Em Janeiro uma hora por inteiro e, quem bem olhar, hora e meia há-de achar" - mas a verdade é que, apesar de o sol ser bem-vindo, a chuva ainda vai fazendo falta  - "Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom celeiro"...

Os pássaros já voam por aí, a ensaiar novos cantares, as brancas asas das borboletas já saltitam diante dos nossos olhares, os amarelos das mimosas já arriscam nas bermas das estradas e em quase todas as árvores, sejam de fruto ou só de decoração, os brotos e as flores já começaram anunciar a nova estação...

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la..." - Cecília Meireles - Primavera,  in  "Cecília Meireles - Obra em prosa".


(DO AUTOR - ALGURES EM SINTRA NUM DIA DE QUASE PRIMAVERA)




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sábado, 16 de fevereiro de 2013

ESPERANDO


Passou o Carnaval e a Quaresma entrou com a Quarta-feira de Cinzas. Agora, só faltam "quarenta" dias para a Páscoa e para o Cordeiro Pascal.

Um tempo de preparação espiritual para os Cristãos, tempo de abstinência, de jejum...

E estes dois cordeirinhos olhando e descansando na relva verde onde se alimentam, não vão chegar à idade adulta... Vão, certamente, integrar as celebrações da Páscoa e fazer parte da ementa do almoço do Domingo da Ressurreição!


(DO AUTOR - DESCANSANDO AO SOL, NA SERRA DE SÃO MAMEDE)


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A MONDA


Agora que o sol começa a aquecer a terra, que se deixa ficar mais tempo a iluminar os dias, que já nos traz prenúncios de primavera, que faz germinar os brotos, florescer as mimosas, pintando-as de bom amarelo, e crescer as ervas do campo, que se torna mais verde e mais brilhante... é a altura de afastar as ervas daninhas que, ao sugarem os nutrientes do solo, em seu benefício, vão perturbar o crescimento das searas, o desenvolvimento das vinhas...

Por isso os agricultores, preocupados com a sua terra, com as suas plantações, tratam de limpar o trigo do joio e recorrem à monda química que, de forma muito selectiva, vai matando tudo o que é ruim, deixando ficar só o que interessa. E não se faz só uma monda... é preciso, de tempos a tempos, fazerem-se novas mondas para dar cabo das plantas daninhas que, ocasionalmente, vão aparecendo...

Às vezes apetece fazer, também, uma monda nesta nossa sociedade a ver se se acabava, de vez, com a corrupção, o oportunismo, a incompetência, a injustiça, o poder podre, a mentira, a desfaçatez  que, quantas vezes, vão minar os mais jovens, os inexperientes, os fracos... mas, infelizmente, não é com mondas que se muda o homem...


(DO AUTOR - A MONDAR AS VINHAS - SERRA DE SÃO MAMEDE)


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A VIDA É BELA?


A vida é bela?

Talvez... Se a gente não der cabo dela, ou ela não der cabo de nós...

A vida é bela...
Quando a manhã fresca nos invade de sol e de cor,
Quando a saúde nos faz esquecer a doença e a dor,
Quando a alegria apaga a tristeza,
Quando o saber se impõe à esperteza,
Quando os homens sabem ajudar e dar a mão,
Quando a honestidade se impõe à corrupção,
Quando a mentira deixa de ser verdade
Quando o amor nos traz a felicidade,
Quando o sorriso se espalha por todos os lados
Quando te der a rosa neste dia de namorados...


(DO AUTOR - A VIDA É BELA - EM CORUCHE)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

MELRICES



Não tenho galos, nem galinhas, nem nada de bichos que cantem, cacarejem ou façam outro tipo de ruído ou cantoria ao nascer do dia.

Também não preciso de despertador, nem de outro meio mecânico para saber a hora do levantar. Seja pelo relógio biológico, seja pela luz que atravessa a janela do quarto, seja pela melodia dos pássaros que acordam com o alvor dia...

Conforme a época do ano, assim, os despertares são feitos de maneira diferente... agora começaram os melros no seu chilreio próprio, no seu "chórrimmmm", mal a luz do sol começa a iluminar o dia. Um, ou dois, ou três, ou quatro vão saltitando no relvado meio queimado das geadas deste inverno. Vão comendo os insectos pelo chão, bebericando a água que corre pelos tanques, tomando o banho matinal nessa mesma água e sempre, sempre, entoando melodias que nos acordam para o dia!...

Melrices!

(DO AUTOR - O MELRO MATINAL)

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

BAILARINA


"Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Essa menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir como as outras crianças."

Cecília Meireles - A bailarina.



(DO AUTOR  - BAILARINA AQUÁTICA - ARRAIOLOS)




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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CARNAVAL



O Carnaval é cor e animação, é música, é samba, é  corso, é desfile, é ritmo e muita dança...  

... é máscara, é trapalhão, é homem vestido de mulher e polícia de ladrão...

... é feito de serpentinas, papelinhos e confetes, as meninas são princesas e os meninos valetes, é Branca de Neve com trança, é riso e alegria no olhar duma criança...

... mas também, porque o tempo piorou, pode ser feito de vento, molhado e quase perdendo a cor, ou melhor, com tons vários de cinzento, do modo como hoje o céu se pintou...

(DO AUTOR - O CÉU EM DIA DE CARNAVAL)



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domingo, 10 de fevereiro de 2013

TÉNUE FELICIDADE



"Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como uma pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento do sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como gota
De orvalho numa pétala em flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
de todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor"

Vinícius de Moraes - A Felicidade

(DO AUTOR - A BELEZA TÉNUE DUMA NUVEM)






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